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O Soldado Kozel Pedro ErnestoLuna Jamais vou esquecer aquela madrugada do dia 26 de junho
de 68. Os gritos que são os únicos que, mais de 30 anos
depois, conseguem atravessar a minha surdez, juntam-se à visão
da fumaça, do sangue e do fogo. Estava os em O país estava de sobreaviso, particularmente
nós, jovens, que servíamos o Exército. Um capitão do Exército! Um homem que conhecia as nossas rotinas, o nosso armamento, o nosso grau de treinamento, as nossas limitações! Um homem que nos traiu e, mais tarde, desertou levando o armamento do quartel. Um desertor que, no caso de guerra, seria fuzilado. Não ponho em questão as suas simpatias ideológicas. Mas trair a sua instituição! Ao que eu saiba, o próprio senhor Luiz Carlos Prestes, que foi um ícone do comunismo no país, teve a decência de desligar-se do Exército antes de assumir os seus ideais. Leio agora na imprensa, que a família do soldado
Kozel vai começar a receber uma pensão de 300 Reais! Leio
também que, aquele capitão teve o seu nome reabilitado e
a sua família, além de ganhar uma pensão cerca de
20 vezes maior da que a soldado Kozel, recebeu o soldo acumulado pelo
tempo estimado em que ele permaneceria em serviço! Já pensaram,
20 anos de salários acumulados, sem despesas e sem descontos! Para
um elemento que desertou o seu posto e a sua honra, abrindo mão
de quaisquer proventos da instituição que traiu! | |||||