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Surpreendente atitude Há alguns meses (2004) o então ministro brasileiro da Educação do governo Lula, Sr. CHRISTOVAM BUARQUE excursionou pelos USA. Em debate numa universidade do interior do país ouviu uma pergunta muito interessante: O que pensava sobre a internacionalização da Amazônia. O jovem yankee que o questionou (certamente ativista de alguma ONG) acrescentou que esperava a resposta “de um humanista e não de um brasileiro”. Eis o que respondeu o Sr. Christovam Buarque: Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizaremos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a
internacionalização de todos os grandes museus do mundo.
O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada
museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas
pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio
cultural, como o patrimônio amazônico, ser manipulado e destruído
pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não
faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele,
um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter
sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações
Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns
presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos
na fronteira dos EUA. Por isso eu acho que Nova York, como sede das Nações
Unidas, dever ser internacionalizada. Pelo menos Manhattam deveria pertencer
a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro,
Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica,
sua história do mundo deveria pertencer ao mundo inteiro. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de comer e de ir à escola. Internacionalizaremos as crianças tratando todas elas, não importado o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um Patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver. Como humanista aceito defender a internacionalização do mundo... Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei
para que a Amazônia seja nossa.
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