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DIABO E AS RELIGIÕES
CATOLICISMO:
Após as mudanças iniciadas no Concílio Vaticano
II, há quatro décadas, o Diabo perdeu as feições
físicas monstruosas que apavoravam os fiéis e passou a ser
encarado como “a causa do mal”, cuja ação entre
os homens é de natureza essencialmente moral. Mas a igreja continua
a vê-lo como uma entidade que concentra o mal absoluto, inapelável.
Algumas curiosidades bizarras sobre o Pai da Mentira na fé católica:
o número 666, que costuma identificar a “Besta”, o
anticristo (o grande disfarce de Satã para enganar os crentes e
dominar o mundo), estava escrito na testa do horripilante animal alado,
personagem das visões do apóstolo João que deram
origem ao último livro do Novo Testamento: o Apocalipse. Já
o cheiro de enxofre foi atribuído ao Demo por se tratar de uma
essência horrível e irritante. Na Idade Média, acreditava-se
que o inferno era não apenas um lugar quente, abafado e “animado”
por danações horrendas. Havia também pântanos
fumegantes, onde as almas dos pecadores ardiam em soluções
de enxofres.
EVANGELISMO:
Para a maioria das denominações evangélicas, Satanás
tem individualidade e atua como o grande inimigo do Evangelho de Jesus
e seus seguidores.
Os neopentecostais, que surgiram a partir da década
de 70, superestimam os seus poderes e fazem do combate ao Demônio
o foco de suas atividades. Segmentos modernizantes, como algumas igrejas
batistas nos Estados Unidos e no Brasil, já admitem que o mal reside
nas entranhas do homem, como a sombra junguiana, e contestam a existência
do Maligno.
JUDAÍSMO:
Não aceita a corporificação ao Diabo. Satanás
seria o grande adversário, o pérfido acusador, o ardiloso
comerciante do mal que, conforme a tradição judaica, é
usado por Deus para testar o homem. O bem e o mal procederam ambos de
impulsos humanos.
ISLAMISMO:
O Diabo na fé islâmica é individual e corporificado.
O Demo tem praticamente as mesmas atribuições do seu sinistro
similar na fé católica.
ESPIRITISMO:
A doutrina de Allan Kardec (místico francês que formulou
as bases doutrinárias do Espiritismo no século XIX), popularizada
no Brasil, não admite a existência do mal absoluto nem a
sua individualização em Satanás. O mal, visto como
uma contingência da experiência evolutiva e das vivências
terrenas de cda indivíduo, cede ao bem à medida que os espíritos
se depuram através de sucessivas reencarnações.
BUDISMO:
Os budistas não personificam Deus e muito menos o Diabo, um conceito
inexistente na doutrina religiosa do Budismo. O mal é resultado
da mente inquieta ante a ilusão de eu e das formas do mundo material.
Pensamentos e atos podem gerar o carma que prende o
homem à longa fieira das reencarnações. O exercício
cotidiano, permanente e humilde, da compaixão e do desapego o liberam
desse círculo.
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