O
EFEITO DESMOULLINS
Cássio Guilherme
Nesse artigo, vamos contar a História de um personagem
muito pitoresco que viveu no período efervescente da Revolução
Francesa. Trata-se do jornalista Camille Desmoullins, que apaixonado por
um ideal, imaginando trilhar apenas o caminho da honra e da liberdade,
encontrou-se cara a cara com a realidade mais cruel da existência
de um indivíduo: descobrir que a luta de uma vida inteira por um
objetivo era na verdade parte de uma farsa arquitetada para enganar as
pessoas. Essa História vai nos ajudar a entender uma outra grande
farsa: A idéia desenvolvida por Marx de se buscar um socialismo
utópico, uma igualdade entre as pessoas, idéia essa que
escondia na realidade um intento diabólico de enganação.
Camille Desmoullins nasceu em 02 de março de 1760. Sempre foi aluno
brilhante e tinha o objetivo de se tornar advogado e se deliciava com
a leitura de vários livros. Vivendo num país monárquico,
sonhava com a liberdade e construía ideais revolucionários
em seu coração. Convivia com a miséria e analfabetismo
do povo francês e também com a ostentação luxuriante
dos nobres da França do Séc XVIII. Foi morar em Paris e
lá passou a ter contato com várias pessoas, filósofos
e professores, que formavam uma base de contestação ao regime
vigente. Desmoullins foi contemporâneo das grandes transformações
de seu tempo e viveu o calor das revoluções. Acompanhou
praticamente todos os acontecimentos que culminaram na revolução
de 1789. Era um jovem ardente e sonhava com o poder distribuído
para todo povo, almejava a distribuição de riquezas e muito
se esforçou para insuflar a população contra o regime.
Adquiriu com muito sacrifício uma pequena gráfica que distribuía
jornais incentivando todos a aderirem à revolução
e fazia discursos inflamados agitando as massas. Presenciou ofegante a
Queda da Bastilha e na época começou a editar o jornal:
“ Révolution de France et Brabant”, que narrava todos
os fatos daquele período. Acreditava piamente no espírito
revolucionário do povo e no poder das massas, enxergando naquela
agitação toda uma união popular contra a tirania.
Era amigo pessoal de Danton e Robespierre e fazia parte do clube dos Jacobinos.
Entretanto, essa apoteose de idealismo começou a ruir para Camille
Desmoullins. Após a revolução total e a chegada dos
Jacobinos ao poder, Camille começou a perceber que algo estava
errado. A brutalidade dos Jacobinos passou a não ter limites e
várias pessoas foram condenadas à guilhotina sem julgamento.
O rei Luis XVI e Maria Antonieta foram degolados e seus filhos de 9 e
11 anos foram encarcerados sumariamente. Desmoullins também percebeu
uma coisa terrível: não fora realmente o povo que fizera
a revolução, mas na verdade um grupo de novos-burgueses,
que interessados na queda do poder monárquico, derrubaram o regime
travestidos de revolucionários do povo. A decepção
de Camille ao ser obrigado a encarar essa verdade foi como que uma flecha
transpassando seu coração. Teve que infelizmente encarar
a pior realidade que um homem pode encarar: a de concluir que sua ideologia,
pela qual lutou e viveu toda uma vida, era na verdade uma farsa torpe,
uma armação orquestrada por grupos que se faziam passar
de pobres e oprimidos, mas eram os próprios algozes do povo e co-partícipes
da tragédia que devorava a França por longa data. O próprio
Camille Desmoullins, um dos mais ativos defensores da revolução,
foi condenado à guilhotina e executado em 1794 por seus supostos
“ companheiros da causa revolucionária”.
Essa História triste é semelhante a uma outra que há
várias décadas contamina as mentes e os corações
de vários jovens mundo afora. É semelhante à pregação
do socialismo utópico de Marx, com sua fundamentação
revolucionária de ideologia da igualdade e da distribuição
equânime de rendas, idéia que a princípio contamina
as pessoas a se engajarem nessa luta por um mundo melhor. O que esses
revolucionários não percebem a priori, assim como Desmoullins,
é que essa singela tese socialista esconde na verdade os interesses
dos próprios dominadores das riquezas e do Capital, que visam à
perpetuação execrável de suas benesses e privilégios.
Marx era na realidade um apóstolo do Capital, que travestido de
revolucionário, tinha a missão de confundir os operários
quando de suas lutas com os patrões. Senão vejamos: Nos
países onde ocorreram revoluções comunistas e o poder
foi usurpado, o que aconteceu? Uma minoria tomou o controle da situação,
apoderou-se das riquezas do Estado, massacrou milhões de seres
humanos e os idealistas que sonharam com as falsas premissas do socialismo,
terminaram seus dias ou na prisão ou debaixo da terra.
É justamente essa a cara do socialismo marxista: um conjunto de
idéias mirabolantes e mentirosas que servem na verdade para enganar
as pessoas e perpetuar o poder de uma pequena classe dirigente, tudo com
legitimidade e esperanças fantasiosas de liberdade e igualdade.
Por isso todos sabemos que o comunismo nada mais é do que o capitalismo
travestido de revolucionário popular. Que horrível semelhança
com a História de Desmoullins.
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