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A opção ‘religiosa’ de Lula

por Adolpho João de Paula Couto em 10 de dezembro de 2004

Resumo: Encobrindo o discurso materialista com capa religiosa, a esquerda católica procura reverter o fracasso sofrido pelos socialistas passados.

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Lech Walesa, presidente do legendário sindicato “Solidariedade”, enfrentou corajosamente a ocupação comunista de seu país, empreendida pela então União Soviética, contando com o apoio do então arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtila, hoje Papa João Paulo II. Operário como Lula, também atingiu a presidência de seu país, a Polônia.

Num de seus costumeiros momentos de incontinência verbal, Lula resolveu comparar-se jactanciosamente a ele, julgando-se em um patamar superior. Visivelmente influenciado por seu ex-assessor especial Frei Betto, e parecendo-nos ignorar o verdadeiro alcance de sua opção, fez uma declaração que soou mesquinha: “O Walesa é um pelegão. Ele é fruto da Igreja Católica conservadora. E eu era fruto da Teologia da Libertação”. (Zero Hora, 13/11/2004). Foi por isto que o ex-frade franciscano Leonardo Boff, uma das autoridades no assunto, declarou em entrevista à Radiobrás, após a posse de Lula na presidência: “Nós nos sentimos, pela primeira vez, como pessoas da casa. Ate hoje o governo era nosso contraditório, era alvo de nossa critica. De repente, os nossos companheiros estão lá”. O título da entrevista era sintomático: “A Igreja da Libertação chegou ao poder”.

Cabe bem recordar aqui o que disse certa vez Frei Betto: “O que propomos não é teologia dentro do marxismo, mas marxismo dentro da teologia”. Foi através dessa teologia, oposta à doutrina tradicional da Igreja, que se formaram os diversos núcleos que hoje se autodenominam movimentos sociais ou populares, como o MST, os sem teto, as CEB’s, o movimento dos negros, a CUT, os movimentos indigenistas, etc. Dessa maneira o progressismo católico conseguiu algo inédito no Brasil: está no governo e ao mesmo tempo exerce aparente oposição a ele através dos movimentos ditos populares.

Encobrindo o discurso materialista com capa religiosa, a esquerda católica procura reverter o fracasso sofrido pelos socialistas passados. Não lhe interessa converter pessoas ao catolicismo, mas sim transformá-las em instrumentos de um conceito subjetivo de justiça social. Foi o que disse Leonardo Boff na já citada entrevista à Radiobrás: “É uma teologia que faz sentido, que ajuda a criar uma visão das coisas, não necessariamente cristã, porque nós não estamos interessados em que haja mais cristãos, estamos interessados em que haja mais cidadãos participativos, sensíveis, justos, lutadores pela libertação dos seres humanos, e o cristianismo como uma fonte geradora de pessoas assim”.

Estes últimos conceitos foram extraídos de um artigo escrito na revista “Catolicismo”, de Abril/2004, sob o título: “A Teologia da Libertação e sua influência no país”. Este resumo permite fazer uma idéia exata do que seja a teologia da libertação, a “religião” imprudentemente escolhida por Lula, como argumento de sua pretensiosa superioridade sobre Lech Walesa. É mais uma explicação para seu inabalável apoio ao MST, fruto da Pastoral da Terra (CPT), um dos bastiões da TL no Brasil.