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A FALÁCIA DE BENJAMIN

08/08/2005

“Eu admito que é preferível um PT comprometido com a bandalheira do que um PT fiel à sua ideologia...O corrupto não tem interesse em mudar o regime...

J.O de Meira Penna

A crise do governo do PT tem ensejado a manifestação de muitos teóricos do partido, dentro e fora dele. A Folha de São Paulo trouxe alguns textos desses teóricos na sua edição de domingo (07/08). Depois de lê-los passei a achar que os crimes de Lula e sua camarilha [ou será comunalha (*)? Dá na mesma.] são café pequeno perto do que nos espera se seus críticos à esquerda vierem a ser alçados ao centro de poder. Pelo menos a normalidade econômica não foi quebrada até agora e as liberdades formais estão em plena vigência. Mas esse status quo poderá não continuar. Podemos dizer que a crise sepultou de vez a fase social-democrata do PT e de Lula, pois não os imagino caminhando para a direita. A saída da crise se dará pela esquerda. A subida de Tarso Genro à presidência do partido é uma clara sinalização nessa direção.

Quero destacar aqui o artigo de César Benjamin (“Era uma vez PT”), autor que já tive a oportunidade de comentar anteriormente. Suas idéias são bem expostas, mas um leitor desarmado não saberá a extensão dos crimes propostos por ele nas suas entrelinhas, se eventualmente suas idéias vierem a ser postas em prática. O mal-feito de Lula e José Dirceu será miudeza perto do que gente como Benjamin gostaria de fazer. A começar pelo grau de mentira: as mentirinhas táticas para enganar os bobos eleitores dariam lugar às grandes mentiras revolucionárias, o “resíduo excrementício do espírito”, para utilizar a feliz expressão do escritor argentino Juan José Saer.

Benjamin escreveu: “Estamos diante de um fenômeno novo em nossa história. Ele tem várias dimensões. Uma delas é a introdução, na esquerda brasileira, em larga escala, daquilo que Marx chamava, em outro contexto, o ‘poder dissolvente do dinheiro’. As sociedades antigas, baseadas na tradição, na hierarquia e na religião, desconfiavam de banqueiros e de grandes comerciantes e não raro os reprimiam, porque percebiam que o fortalecimento da esfera do dinheiro desagregaria tudo o mais. Foi o que finalmente aconteceu no mundo moderno, para o bem e para o mal, com a completa mercantilização da vida social. Processo semelhante ocorreu na esquerda brasileira nos 15 últimos anos”.

Ele simplesmente diz que a culpa dos crimes relatados nas CPIs em andamento é... do capitalismo! Santos esquerdistas puros jamais cometeriam deslizes, tão imbuídos que estão de sua missão redentora da humanidade. Que as pessoas podem ser corrompidas pela sociedade capitalista, pelo dinheiro. Que, se seus ex-companheiros petistas se mantivessem fiéis aos ideais da causa socialista, não seriam corrompidos, pois o socialismo seria supostamente nobre, sobranceiro, incorruptível. Passa ao largo do fato simples de que, com poucas exceções, estão no governo militantes de toda a vida na causa esquerdista, que o esquerdismo, onde assumiu o poder, estiolou-se na corrupção e onde dispôs do poder absoluto praticou, entre outros, o supremo crime de genocídio. Não é o capitalismo que corrompeu os nossos socialistas governantes, é o socialismo, ele mesmo a corrupção da alma, o resíduo excrementício do espírito. A desculpa esfarrapada de Benjamin já está ganhando o coração dos órfãos eleitorais do PT, pois é um discurso fácil, embora falso.

Na verdade, não é o “poder dissolvente do dinheiro” que corrompe, é a alma de quem abraça o socialismo que está corrompida, os mesmos indivíduos que não hesitam em afirmar que os fins justificam os meios, que a corrupção “burguesa” é perdoável desde que usada como alavanca para a tomada de poder, que a democracia representativa é uma fraude. Benjamin afirmou que “ao aceitarmos financiamentos de bancos e empreiteiras, feitos à revelia das instâncias partidárias, estávamos diante do ovo da serpente que iria nos engolir”. O ovo da serpente é o PT, enquanto braço mais longo do socialismo pátrio. É o grande vício, a grande queda, a mentira mais acabada e a putrefação mais fedorenta.

Ele também escreveu que “Lula optou pela esquizofrenia: corta todas as verbas dos ministérios, para fazer o alucinado superávit exigido pelo capital financeiro, e anuncia que nenhum governo realiza tanto quanto o seu”. Benjamin ignora que sem superávit o País já teria sosobrado e a essa altura Lula já teria sido corrido do poder. Mas Benjamin acredita nessa loucura que seria estancar o superávit, que traria de volta a inflação, zeraria o superávit primário do setor exportador, acabaria com o que restou de crédito do Brasil no exterior, instalaria uma crise econômica sem tamanho. A destruição que os partidários do “verdadeiro” PT começaria por aí, pela política econômica, pela irresponsabilidade fiscal, pela moratória “soberana”. Deus nos livre e guarde desse cataclismo.

Por fim, Benjamin diz que Lula “recusou a teoria”. Qual, pele-vermelha? O marxismo-leninismo, claro. Meu caro leitor, é isso que ele escreve cheio de dedos e de eufemismos, é seu samba de uma nota só. Quer implantar o comunismo à moda cubano-soviética entre nós. Lula, perto desses celerados, é um santo.

Nivaldo Cordeiro

http://www.nivaldocordeiro.org/

(*) Contração de comunista + canalha, obviamente um pleonasmo.