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Gurgel "Posso ir a falência por incapacidade, erro de mercado, mas me recuso a ir a falência por decreto" João Augusto Gurgel
A história da Gurgel Motores se inicia em meados da década de sessenta, quando seu fundador, João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, começa a produzir minicarros para crianças e karts.
Em 1969, Gurgel, que era engenheiro formado pela USP, lança seu primeiro utilitário, o Ipanema. Seguiram-se então os lançamentos do pequeno
off-road X-10, e mais tarde do X-12, que utilizava um inédito sistema
de construção, em que o chassi tubular era reforçado
por componentes de fibra de vidro. O carro era equipado com o motor Volkswagen
a ar e logo tornou-se um sucesso. Não dispunha de tração
integral mas seu diferencial tinha um sistema exclusivo que permitia que
uma das rodas fosse bloqueada (uma espécie de "diferencial
blocante de acionamento manual"). Amaral Gurgel sempre foi cético com relação
ao Pro-álcool, achava que terras férteis deveriam produzir
alimentos e que não fazia sentido subsidiar álcool enquanto
o Brasil exportava gasolina barata. Para ele, a energia do futuro era
a elétrica, por isso a Gurgel Motores sempre pesquisou essa tecnologia,
desde o princípio.
Em 1986 são lançados o Tocantins (um X-12 melhorado) e o Carajás. Este último um sport utility de grande porte que se utilizava do motor VW 2.0 a água e tração traseira com o mesmo sistema de bloqueio de diferencial já empregado no X-12. Esses carros também foram bem em vendas e conquistaram consumidores fiéis entre órgãos públicos e polícias. Mas foi entre 1984 e 1988 que a fábrica de Rio Claro desenvolveu o que talvez tenha sido o projeto mais ambicioso de uma empresa brasileira em todos os tempos. Esse projeto, denominado CENA (Carro Econômico Nacional), visava criar um carro totalmente projetado e manufaturado no Brasil, que fosse econômico, e tivesse ainda manutenção simples e barata. Esse carro deveria ser para a Gurgel o que o Modelo-T fora para a Ford e o que o Fusca fora para a VW. No final de 1987 unidades pré-série foram
ter às pistas de testes para definir os últimos acertos
e em 1988 o carro rebatizado como BR-800 começou a ser produzido
em série. O Governo Federal, num louvável gesto de apoio
à indústria nacional, concedeu ao carrinho o direito de
pagar apenas 5% de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), enquanto
os demais carros pagavam 25% ou mais dependendo da cilindrada.
Um dos objetivos principais do projeto não foi atingido, o preço. Nos dois primeiros anos, todas as unidades eram destinadas a quem comprasse um lote de ações da Gurgel. Mesmo assim o sucesso foi imediato, quem conseguia o carro recendia-o com até 100% de ágio facilmente. É que a idéia de um carro totalmente brasileiro despertara um generalizado nacionalismo ufanista. Em 1990, quando o carro começava a ser vendido sem o pacote compulsório de ações, quando parecia estar surgindo uma nova potência (tupiniquim) no mercado automobilístico, o Governo isenta todos os carros com motor menor que 1000cm³ do IPI (numa espécie de traição à Gurgel). Assim a Fiat lançou quase instantaneamente o Uno Mille, pelo mesmo preço do BR-800, mas que oferecia mais espaço e desempenho.
Em 1991 o BR-800 passou por aperfeiçoamentos no
desenho, interior e transmissão, passando a chamar-se BR-Supermini.
Mas a empresa já não estava bem financeiramente.
Trabalhando com quadro de funcionários reduzido
desde o pedido de concordata, a Gurgel, com uma dívida superior
a 3 milhões de dólares, vem a falir em 1995. O sonho acabou....
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